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Tam Tui Kuen / Tam Toi T’Chuen

A criação do Tantui que tem suas origens no século XVII, é um tanto quanto incerta e por isso muitas pessoas traduzem o nome do estilo como "Pernas Poderosas", "Pernas Saltitantes" ou até mesmo "Chutes Fortes". Existem duas teorias para o surgimento do estilo que podemos adotar como quase certas. A primeira e mais imprecisa é de que o Tantui foi criado por alunos ou discípulos de Chamir (Cha Yuanyi), criador do estilo Chaquan. A segunda e mais aceitável afirma que o Tantui foi criado num templo budista chamado Longtan (long = dragão e tan = lago); localizado em Jiyuan, o templo foi construído para um monge budista Chan de nome Longtang, famoso por seus ensinamentos e célebre personagem de estórias e ensinamentos budistas (Gongan ou Koan). Daí o nome do estilo: Tantui – técnicas de chute (tui) do templo Longtan.

Mas na verdade o Tantui adquiriu importância depois que o estilo foi levado ao mosteiro de Shaolin. Em seu estágio pré-Shaolin, o Tantui era composto por dez formas de mãos-livres e por isso era chamado de Shi Lu Tantui. Os monges de Shaolin criaram uma nova seqüência de doze movimentos e assim se formou uma nova variação do estilo. (Acredita-se que originalmente o Tantui tivesse 28 movimentos, ordenado segundo as letras do alfabeto árabe. Depois foi abreviado para 10 e remanejados para 12 já em Shaolin, com ênfase nas pernas. Os monges tornaram esse estilo um método de exercícios obrigatório para todo estudante de Kung Fu).

O Tantui é uma série de exercícios de condicionamento executados pela maioria dos estilos de Kung Fu. Apesar de existir uma série original, com 12 movimentos, cada estilo adaptou o Tantui as suas próprias necessidades. Muitas vezes fica difícil discernir os seus movimentos em meio aos exercícios de aquecimento característicos de cada estilo. Baseado principalmente em movimentos de pernas, o Tantui, todavia faz grande uso da respiração e de movimentos de braços. Suas qualidades únicas no desenvolvimento do corpo como um todo lhe favoreceram até mesmo a inclusão na grade curricular das escolas chinesas, através de uma variação com 10 movimentos, menos marcial e mais terapêutico, voltado para a educação física. O Tantui foi um dos poucos estilos que atravessou tantos anos por ter sido aceito como parte do currículo obrigatório de associações de artes marciais como a Academia Central de Nanjing (中央國術館) e a Associação Jingwu de Artes Marciais. Estas associações reuniram os mestres mais famosos da sua época e um deles foi Wang Ziping, mestre de Tantui e Chaquan.

As duas seqüências de Tantui são compostas por movimentos compactos e retilíneos, com aplicações objetivas e rápidas, mas cada uma com elementos distintos. A execução das formas é bem simples, onde os golpes são executados com ambos os lados do corpo, fortalecendo o corpo de forma homogênea, e principalmente as pernas devido a grande ênfase na prática de bases baixas. As técnicas principais envolvem ataques com as pernas: chutes, rasteiras, joelhadas e bloqueios, mas existem técnicas de golpes com socos, palma das mãos e cotovelos. A principal característica do Tan Tui é o chute forte abaixo da cintura.

Como toda atividade destinada a desenvolver o físico, o Tantui deve ser praticado de forma enérgica, com vigor e vitalidade. Sua prática constante ocasiona uma melhora da postura, fortalecimento de membros inferiores, melhora da respiração, aumento da concentração e desenvolvimento da psicomotricidade, e ainda melhor movimentação do conjunto (tronco, pernas e braços como um só). Essa movimentação conjunta é a chave em todos os estilos de artes marciais, principalmente o Kung Fu. Por outro lado, sua prática necessita de diversos cuidados, principalmente com a respiração. O Grão-Mestre Chan Kowk Wai diz que se não houver a respiração correta, os benefícios são muito pequenos. Esse é um fator muito pouco valorizado pelos adeptos do Kung Fu que treinam esse sistema.

O vigor é outro fator fundamental. O Tantui não deve ser executado de maneira flácida, molenga, mas com energia e vitalidade. Sobre a importância do Tantui, veja um trecho da declaração feita pela Associação de Wushu da China, em sua reunião de 27 de outubro de 1912: “Nossa associação ensina artes marciais, principalmente os exercícios de pernas (Tantui), uma técnica de grande importância e cujos benefícios tem sido confirmados pela nossa experiência. Para começar, queremos citar aqui algumas características dessa séria de exercícios. Como seus movimentos são muito variados e exigem passos sólidos, cada um deles tem suas peculiaridades e finalidades em uma luta. Se alguém os praticar sem interrupção, aprenderá facilmente outros exercícios e movimentos de Wushu e será cada dia mais forte”.

O Tantui não é um mero exercício para as pernas, como muitos acreditam. É um exercício para todo o corpo, que deve ser feito sempre com o indivíduo concentrado e centrado, ciente de cada parte de seu corpo e movendo-se como um bloco único. Ao ser praticado dessa forma, o Tantui desenvolve não apenas o corpo, mas a mente também. E isso é o mais importante nas artes marciais chinesas. Os manuais modernos da China colocam o Tantui como pertencente ao grupo de Changquan (Punho Longo), comum no Norte da China e muito famoso. O nome Changquan se tornou referência de estilos do Norte, sendo que todos são assim chamados, genericamente.

Após a revolução de 1949, a Comissão de Cultura e Esportes da China (mesma comissão que criou as rotinas do Wu Shu contemporâneo), simplificou o Tan Tui para 10 séries, incluindo-o nas escolas chinesas e difundido por todo o país como método de Educação Física.

O estilo Tantui não possui formas de armas.

Tantui é um estilo de origem muçulmana. Existem várias definições para o termo, assim como Pés ou Passos na Lagoa, e até mesmo pernas explosivas. É um Kati feito para fortalecimento corporal, sendo característico por ser muito longo e possuir chutes baixos e bases muito fortes.

O Grão-Mestre Chan Kowk Wai sempre diz que o Tam Tui é um estilo de luta, praticado pelos chineses muçulmanos, como dito anteriormente, e que devemos entender que suas técnicas são agrupamentos e não movimentos em si, visto que são longos, temos também em nossa escola um facão do estilo Tam Tui que junto com o Chaquan e o Luo Hap, além de outros estilos que são agrupados dentro de uma escola chamada Jiao Men Changquan e que compreende estes e outros estilos de arte marcial chinesa muçulmana.

Segundo o Grão-Mestre Chan Kowk Wai, os antigos mestres de Tam Tui eram capazes de deslocar com a força dos pés e pernas (chutes), troncos de árvores cortadas, ou seja, eles cortavam as árvores para fabricarem suas casas e com aquelas bases que sobravam eles treinavam os chutes do Tam Tui até desprenderem os tocos de suas raízes.
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